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Convergência Cultural

Matéria publicada pela Tribuna de Minas, em 11 de maio de 2006.

Fernanda Fernandes
Repórter

Mais do que uma coincidência, a proximidade entre o aniversário de Murilo Mendes (13 de maio) e o Dia Internacional dos Museus (18 de maio) pode ser vista como uma convergência, para utilizar uma palavra muriliana. Aproveitando desta idéia de confluência explorada pelo poeta juizforano, a direção do Museu de Arte Moderna Murilo Mendes (MAM) pretende marcar o período com diversas atrações culturais (ver quadro). “É um momento para se comemorar e para promover a difusão do acervo literário através da museografia e de outras atividades, que é uma preocupação contemporânea”, diz a diretora do MAM, Maria Luiza Scher Pereira.

Entre as convergências, Maria Luiza acrescenta o fato de, neste ano, a Semana dos Museus abordar o público jovem, que também é o público da UFJF. “O CEMM virou MAM, está cadastrado no Iphan, e essas atividades rebatem a programação nacional”, observa. E como o MAM é um museu interdisciplinar, os eventos planejados foram pensados para atender diferentes tipos de espectador, incluindo música, dança, filme e, claro, as artes plásticas expostas nas galerias.

Murilo Mendes, que completaria 105 anos neste sábado, vai receber os convidados para o seu aniversário por meio da performance do ator Samir Hauaji, sob a direção de Sandra Emília. “Vão ser muitas surpresas saborosas”, avisa o ator, que utilizará poemas como dinâmica de intervenção com o público. “Queremos que as pessoas estejam em casa, na casa de Murilo.”

No mesmo dia, haverá apresentação da Orquestra de Violões do Conservatório Estadual de Música Haidée França, com 25 violões, além de clarinete, trompete, saxofone, flauta e percussão, no Jardim interno do MAM. O Maestro Guto Cimino selecionou para o repertório a “Habanera”, da ópera Carmen, de Bizet, para homenagear o “Tempo espanhol”, a que Murilo se refere em sua obra. Também fazem parte do programa uma adaptação da “Quinta sinfonia”, de Beethoven, a “Serenata”, de Mozart, além de um pout-pourri brasileiro, com o qual a orquestra juizforana venceu o 19º Concurso Nacional de Música de Câmera de Araçatuba.

Fim de semana animado

Sábado e domingo, o MAM exibe o curta “Poliedro – O resgate”, de Alessandro Driê. A animação participou de vários festivais, como o Primeiro Plano, a Mostra Múmia e o Corta Curtas, contando uma história livremente inspirada em “Poliedro”, de Murilo Mendes. Na trama passada em Juiz de Fora, no início do século XX, um menino se depara com a chegada de um galo em sua casa. Após uma revelação vinda dos céus, ele parte em busca de um objeto mágico, o poliedro, que pode lhe dar condições de combater a ave encrenqueira. Todas as vozes do filme são feitas por Samir Hauaji.

Na semana que vem, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do projeto Acervo de Escritores Mineiros, Wander de Melo, chega à cidade para a palestra “Colecionismo mineiro, acervos literários e espaço museográfico”. Na conferência, o estudioso vai falar sobre o trabalho realizado a partir do material deixado por escritores como Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião, Abgar Renault, Oswaldo França Júnior e Cyro dos Anjos.

Reencontro adiado

Hoje, o psicanalista e escritor Jacob Pinheiro Goldberg lançaria seu livro “Rua Halfeld, Ostroviec”, com poemas que remetem a sua formação: a infância em Minas e a origem polonesa de seus pais, vindos de Ostroviec. Porém, o evento teve que ser adiado devido a problemas de saúde na família do autor. “Foi uma pena porque estou preparando esta viagem a Juiz de Fora há anos”, disse Jacob, em entrevista por telefone à Tribuna.

Radicado em São Paulo, o juizforano não vem à cidade há mais de 20 anos, mas afirma fazer esta viagem em breve. “Sob o ponto de vista tempo/espaço, estou fora de Juiz de Fora, mas é crucial o fato de Juiz de Fora estar dentro de mim, sendo o berço da minha formação, que influenciou minhas inclinações intelectuais e as marcas da minha personalidade”, avalia o psicanalista. Segundo ele, este é um fenômeno que se aplica a sua poética, à de Murilo Mendes e à de outros escritores nascidos às margens do Paraibuna.

“Dizem que só se pode entender a filosofia grega quando se conhece o céu da Grécia. Acho que é assim também com os escritores de Juiz de Fora, onde há personagens aéreos, indivíduos com horizontes que estão ultrapassando as montanhas”, compara o poeta que escreveu “quem nasce em Juiz de Fora ou morre poeta ou morre louco”, no livro “Ritual de clivagem”.

Programação

Sábado

15h e 16h – Filme

20h – Orquestra de Violões do Conservatório Estadual de Musica Haidée França e Performance teatral “Murilo vivo” (Jardim interno do MAM)

Domingo

15h e 16h – Filme “Poliedro – O resgate”

Terça

20h – Conferência: “Colecionismo mineiro, acervos literários e espaço museográfico”, com o Prof. Wander de Melo Miranda, da Universidade Federal de Minas Gerais

Quinta

20h – Inauguração da Reserva Técnica dos Laboratórios de Conservação e Restauro do MAM

Fonte: Tribuna de Minas

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